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ARTIGO: As Tarifas de Donald Trump: Entenda o que tem motivado o presidente americano e quais serão os efeitos sobre a economia


Por: REDAÇÃO Portal

26/03/2025
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Autor: André Falcão | Sócio e Economista da Múltiplos Investimentos

Donald Trump voltou à presidência dos Estados Unidos e, nos primeiros meses de mandato, tem reforçado sua política de tarifas de importação para reduzir déficits comerciais e fortalecer a indústria americana. Essa estratégia tem implicações amplas para o comércio global e a geopolítica. Para entender o que está por trás dessas medidas e seus impactos, é essencial olhar para o papel do dólar na economia mundial e o cenário mais amplo da desglobalização.

Os Estados Unidos têm um privilégio exorbitante: controlam a moeda de reserva global. Isso significa que existe uma alta demanda global por dólares, permitindo ao país financiar seus déficits a custos baixos e manter um alto nível de consumo. Mas esse status também traz efeitos colaterais.
 
A valorização do dólar torna os produtos americanos mais caros no exterior, prejudicando exportações e incentivando a importação, já que os produtos estrangeiros ficam relativamente mais baratos. Com o tempo, isso levou à perda de competitividade da indústria americana e ao fechamento de fábricas, um problema que Trump tenta resolver com sua agenda protecionista.

A ideia por trás das tarifas é simples: encarecer os produtos importados para tornar a produção doméstica mais competitiva. Mas, na prática, a teoria econômica mostra que o repasse dos custos é inevitável. Os preços sobem, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população e desacelerando a economia. Além disso, há o risco de retaliações de parceiros comerciais, o que pode prejudicar exportadores americanos e aumentar a instabilidade econômica.

Esse protecionismo não acontece no vácuo. Nos últimos anos, o mundo tem caminhado para um movimento de desglobalização, impulsionado pela guerra comercial entre EUA e China, pelos impactos da pandemia e pelos conflitos geopolíticos recentes. Uma ideia que tem sido ventilada é a denearshoring e friendshoring, privilegiando parceiros comerciais próximos e aliados estratégicos. Trump, por outro lado, parece estar focado no reshoring – trazer a produção de volta para os Estados Unidos, mesmo que isso signifique prejudicar parceiros tradicionais, como México e Canadá.

Essa abordagem, no entanto, pode ter efeitos colaterais significativos. Além do impacto inflacionário, o aumento das tarifas pode elevar a incerteza nos mercados financeiros e gerar retaliações de países afetados. China, União Europeia e países latino-americanos já indicaram que podem responder com medidas próprias, aumentando o risco de uma guerra comercial que prejudique o crescimento econômico global.
Para o Brasil, essa nova fase do protecionismo americano traz desafios e oportunidades. Os Estados Unidos são nosso segundo maior parceiro comercial, mas ocupamos apenas a 15ª posição de relevância comercial na economia americana. Isso diminui o ímpeto de Trump em direcionar sanções pesadas contra o Brasil, já que ele tende a focar em países com os quais os EUA possuem grandes déficits comerciais.

Por outro lado, a reorganização das cadeias produtivas globais pode abrir espaço para o Brasil se tornar um parceiro estratégico, desde que consiga demonstrar estabilidade e previsibilidade. A conclusão de acordos comerciais, como o Mercosul-União Europeia, pode ser uma forma eficaz de reduzir dependências e aumentar a competitividade brasileira nesse novo cenário global.

No fim das contas, a nova onda de tarifas protecionistas adiciona mais um elemento de incerteza à economia mundial. Se, por um lado, Trump busca fortalecer a indústria americana e reduzir déficits comerciais, por outro, suas medidas podem gerar inflação, aumentar a volatilidade nos mercados e intensificar disputas comerciais. 
 

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