Projeto oferece solução sustentável para lodo tóxico do jeans no polo têxtil de Pernambuco
O objetivo é transformar os resíduos em cápsulas que podem ser utilizadas para melhorar os resultados da agricultura

Foto: Divulgação/UFPE
O polo têxtil de Pernambuco, localizado principalmente nas cidades de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, no Agreste do estado, é um dos mais importantes do país. Apesar da referência na economia pernambucana e também brasileira, o segmento causa preocupações ao meio ambiente. Isso porque o processo de lavagem dos jeans, que faz o tecido bruto atingir tons mais claros, gera um lodo tóxico muito poluente à natureza.
Por causa disso, a startup Germini, inserida no Polo Tec da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tem se dedicado a mudar o destino dos resíduos poluentes do processo de lavagem do jeans realizado pelas fábricas do polo têxtil pernambucano. A ideia partiu de pesquisadoras do Departamento de Química Fundamental da universidade, que querem minimizar problemas ambientais causados no processo da confecção de roupas. É o que aponta a CEO da startup, Jéssica Vasconcelos.
“Quando ele vai pra natureza causa um prejuízo para os solos, para as águas, para os animais, para as plantações… Inclusive, na região eles já estão sofrendo com isso por conta, principalmente, das lavanderias e de outras fábricas que não são legalizadas que despejam (os resíduos) diretamente, tanto nos esgotos como nos rios”, esclareceu a pesquisadora.
O objetivo da startup é transformar, em laboratório, os resíduos que saem das lavanderias em cápsulas que podem ser utilizadas para melhorar os resultados da agricultura. Com isso, a pesquisa busca converter o lodo em uma solução biofortificante que pode revestir diversos tipos de sementes, como as do feijão, por exemplo. Com as transformações, o material, que é uma espécie de uma capa de proteção, passa a ter um alto poder nutritivo, o que faz com que a germinação seja mais rápida, como explica a técnica em química e engenheira da computação Eneri Melo.
“A gente faz um tratamento para retirar essas impurezas maiores, e aí depois levamos esse lodo para ele passar por uma síntese térmica. [...] Então, no nosso caso, obtemos nanopartículas de carbono, que a gente transforma no nosso biofortificante. No processo, deixamos ele com um material um pouco gelatinoso que envolve as sementes, aumentando a taxa de germinação porque fornece nutrientes que às vezes ela (a semente) não vai ter disponível no solo na quantidade necessária”, explicou.
A CEO da startup, Jéssica Vasconcelos destaca como os resultados do projeto reduzem o desperdício e promovem a sustentabilidade. “Os resultados até agora, mostraram que a velocidade da germinação aumentou. A gente conseguiu aumentar a taxa de germinação em até 2 dias. [...] Essa semente, que já cresce mais rápido, também já cresce mais forte. Consequentemente, uma semente que vai crescer mais forte tem a possibilidade muito maior de se desenvolver e dar o fruto. [...] A principal importância vai ser a economia cíclica, né? Porque a gente tá pegando um resíduo extremamente tóxico, que inicialmente iria parar em aterros sanitários sem ter um tratamento adequado, principalmente aqui no estado, e estamos direcionando esse resíduo para algo que está sendo transformado em vida”, finalizou Eneri.
Aliando tecnologia e inovação, a pesquisa pernambucana tem transformado resíduos tóxicos em biofertilizantes, impulsionando, assim, a produtividade agrícola, em favor do meio ambiente e do crescimento da região.
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