Opinião | Zona preterida

Aqueles que procuram estudar o Direito Penal e não os “pitaqueiros” ou “acadêmicos da UNISAPPE”, sabem que grande parte das medidas que são adotadas no Brasil visando coibir a criminalidade, estão atreladas a um modelo ultrapassado. A desinformação ou mesmo o desejo de jogar para plateia, tem promovido a ideia de que o endurecimento das penas é o principal e melhor caminho para tolher a violência, desconsiderando fatores endógenos e exógenos.
Não é de hoje, que Pernambuco sofre com o problema da criminalidade em várias modalidades e por mais que sejam percebidos os esforços oriundos do poder público em pelo menos diminuir a celeuma, até o momento, não conseguiu entregar a população o resultado que tanto se deseja. As disputadas câmeras de monitoramento, finalmente passarão pelo processo de instalação. Apesar do grande feito, causa espécie, pelo menos a princípio, a não inclusão de nenhuma cidade da Zona da Mata. Será que a região vive tempo de bonança? Por outro lado, cidades da Região Metropolitana, Sertão e não poderia faltar o Agreste, serão contempladas.
Em recente pesquisa divulgada pelos meios de comunicação, os dados apontaram Pernambuco como um dos Estados mais violentos do país, dividindo com São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Os dados alarmantes apontam que estamos vivendo um modelo de Estado aos moldes do hobbesianismo, em uma guerra de todos contra todos.
Olinda, 27 de fevereiro de 2025.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista político.