Gonet aponta que Jair Bolsonaro sabia e concordou com plano para matar Lula

O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, apontou na denúncia contra Jair Bolsonaro (PL) que o ex-presidente sabia e havia concordado com o plano para matar o então presidente eleito Lula, em 2022, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
"Os membros da organização criminosa estruturaram, no âmbito do Palácio do Planalto, plano de ataque às instituições, com vistas à derrocada do sistema de funcionamento dos Poderes e da ordem democrática, que recebeu o sinistro nome de “Punhal Verde Amarelo”, diz a denúncia.
Na denúncia proferida pela PGR nesta terça-feira (18), Gonet concordou com todas as acusações feitas pela Polícia Federal (PF) no relatório da investigação. Bolsonaro é apontado como integrante da trama golpista, em 2022, articulada para que o então presidente derrotado nas urnas continuasse no poder em 2023.
Além de Jair Bolsonaro, também foram denunciadas outras 34 pessoas, incluindo Alexandre Ramagem, Almir Garnier Santos, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, apontados por formar o “núcleo duro” da organização criminosa. No caso de Braga Netto, ex-vice de Bolsonaro, Gonet o acusa de liderar a tentativa de golpe junto com Bolsonaro.
"Os planos culminaram no que a organização criminosa denominou de Operação Copa 2022, dotada ela mesma de várias etapas. A expectativa era a de que a Operação criasse comoção social capaz de arrastar o Alto Comando do Exército à aventura do golpe", diz a peça.
Cabe ao STF aceitar ou não a denúncia e iniciar o julgamento na Primeira Turma. Além de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Bolsonaro pode responder por liderar organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e deterioração do patrimônio público tombado.