Após um ano do aparecimento de manchas de petróleo nas praias do litoral nordestino, nenhuma das hipóteses da origem foi comprovada cientificamente. Impactos socioeconômicos do desastre foram potencializados com a pandemia da Covid-19

Foto: Reprodução/G1
Um ano após o aparecimento de petróleo nas Praias do Litoral Nordestino, a Fundação Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) disponibilizou, por meio da sua Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes), o relatório parcial e o banco de dados da pesquisa sobre o desastre econômico e socioambiental provocado pelo derramamento de petróleo nas praias nordestinas. Em entrevista concedida ao programa CBN Recife, o pesquisador do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados para a Pesquisa Social da Fundaj, Neison Freire, apontou que o documento, apesar de pontuar inúmeras possibilidades, não confirma onde aconteceu o vazamento. “A origem ainda é desconhecida. Existem várias hipóteses, mas nenhuma delas se comprovou, cientificamente, 100%. Mas, com certeza, é um desastre tecnoindustrial, não foi um desastre da natureza. Então, ele vazou de algum aparato industrial, seja de um navio, de transbordo de um navio para o outro ou perfuração”, explica Neison.
Na oportunidade, o pesquisador ressaltou que os impactos ambientais e socioeconômicos ainda estão sendo sentidos atualmente, mesmo depois de um ano do acontecimento, principalmente em decorrência do cenário atual de crise sanitária, gerada pela pandemia da Covid-19. De acordo com ele, foi feito um mapeamento por imagens de satélites de 201 praias atingidas, número inferior ao total de áreas impactadas, e, só em Pernambuco, foram constatados que 260 hectares de corais e 692 hectares de mangue e vegetação nativa podem ter sido atingidos. “Não sabemos se tudo que chegou representa 100% ou se existe ainda depósitos. Recentemente, vimos o surgimento de pequenas manchas em algumas praias e tudo indica ser um desprendimento do que estava depositado em bancos de corais submersos. Então, na parte meio ambiente, os danos continuam, porque parte desse material não pôde ser retirado, principalmente nas áreas de manguezais, de difícil acesso, porque ele se fragmenta e também tem uma lenta decomposição na natureza, altamente tóxico para todos os ecossistemas”, detalha o especialista.
No âmbito socioeconômico, as consequências foram mais árduas para os grupos sociais que dependem do litoral para a geração de renda, como marisqueiras, pescadores artesanais, vendedores ambulantes, além de todo corpo de funcionários dos setores hoteleiros e alimentares. Os dados apontam que na parte da hotelaria, os entrevistados relataram uma perda de faturamento médio de 30%; 40% dos pescadores artesanais relataram que estuários ou manguezais próximos às áreas de pesca foram atingidos e quase 68% deles relataram queda de renda. Entre os ambulantes, o número foi maior: 82% relataram diminuição dos recursos. “Foram as populações mais pobres, de maior vulnerabilidade social, as mais atingidas. Por consequência, os municípios menores sofreram os maiores impactos, enquanto os municípios maiores, tendo uma economia mais dinâmica, sofreram menos”, analisa Freire.
Confira outras informações na entrevista completa com Neison Freire, disponível no play acima.
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