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Viver cada dia de uma vez ajudou Rosely Passos a vencer o câncer

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Por: REDAÇÃO Portal

Trajetória até a cura da doença possibilitou aprendizados e lições transformadoras na vida da médica

31/10/2019
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Trajetória até a cura da doença possibilitou aprendizados e lições transformadoras na vida da médica

Foto: Antonio Diniz

Os exames preventivos, inclusive a mamografia, estavam em dia, quando a oftalmologista, Rosely Passos, sentiu um nódulo na mama direita e, naquele momento, o pensamento ficou voltado para a doença que provoca medo em todas as mulheres: o câncer de mama. “Claro que a primeira coisa que veio na minha cabeça foi que era, mas eu ainda tinha uma esperança, porque tinha só cinco meses de mamografia e ela tinha sido normal”, descreve a médica sobre o momento em que passou pela cabeça que estava com a doença. Logo após esse primeiro momento, no dia seguinte, ela encarou sua rotina normal, ignorando o episódio. No entanto, em  seguida, resolveu fazer os exames para identificar a característica do nódulo. “No segundo dia, eu acho que arrumei mais força e topei fazer a ultrassom. Pra mim fica mais fácil, porque, como eu sou médica, cheguei pra uma colega e disse ‘olha, queria que encaixasse, porque eu apalpei um nódulo’, aí quando ela passou eu já senti que o negócio não era bom”, afirma. 

Após a série de exames, todos os médicos já tinham deixado claro o diagnóstico: Carcinoma de Mama Ductal Invasivo (CDI), o tipo mais comum de câncer de mama invasivo, tanto em mulheres, como em homens. Além do fato de exercer a medicina, Rosely estava ciente de todos os procedimentos necessários por causa da sua mãe, que já tinha passado pela doença. Devido ao histórico familiar, ela optou pela retirada das duas mamas, mesmo os exames apontando nódulo em apenas um. “Só tinha acometido a mama direita e aí eu decidi tirar as duas mamas, porque minha mãe tinha tido uma recidiva depois de alguns anos na mama contralateral. Para a minha surpresa veio também um ductal incito, significa que ainda não invadiu na mama esquerda, e ninguém tinha encontrado nada nos exames”, relembra a paciente.

Mesmo sabendo que a cura era possível, o sentimento inicial era de medo. “Você fica muito insegura, claro que fica achando que vai morrer, porque já escutou milhares de histórias, mas a minha família me deu muito apoio.  A parte mais dura foi contar para minha própria mãe e para meus filhos”, explica a médica. Rosely destaca que, a partir do momento de descoberta, tentou correr contra o tempo para ficar curada o mais rápido possível. Todo tratamento durou 10 meses,  contou com a cirurgia, sessões de quimioterapia e radioterapia. 

A pior parte do tratamento para ela foi a quimioterapia por causa dos enjoos e da perda do cabelo. “Os cabelos,  17 dias depois da primeira sessão, começaram a cair e quando começa é um baque. Mas depois que passou, que caiu mesmo, eu queria terminar”. Nesse momento, Rosely aponta que o apoio da família dos amigos foi fundamental para ajudá-la. “Eu tive muito, tive do meu companheiro, tive dos meus filhos, tive toda minha família e meus amigos também. Inclusive, na quimioterapia, cada vez ia uma amiga, fora meu marido, que ia todas as vezes”, recorda o momento que contou com o apoio de tantas pessoas.

Outro aspecto que ajudou muito rosely no tratamento foi o lema que acompanhou todo processo: “viva cada dia”. Parece simples, mas foi uma forma que ela encontrou de ficar menos ansiosa, angustiada e presa em pensamentos pessimistas. “Eu vivia o hoje e foi a melhor coisa. Amanhã é outro dia e eu viverei ele, mas sempre vivendo cada dia, sem pensar muito no que vem, porque se você fica pensando na frente, isso massacra. Então, aí eu vivia no lema, porque as coisas vão passando e você chega ao fim”, explica. A partir do momento que o foco ficou voltado para o presente, ela encarou os próximos passos como uma contagem regressiva.  “Eu sempre dizia ‘é um dia a menos de tratamento, já cheguei no 1/3, já cheguei na metade, já cheguei no fim’. Pra mim, isso foi muito importante”, define sua maneira de lidar com o tempo de tratamento. 

Muitas mulheres apresentam problemas com a autoestima, porque não se reconhecem sem o cabelo, ficam mais inchadas, debilitadas, se sentem feias e para baixo. Esses fatores não são muito falados. No entanto, estão presentes na maioria dos processos de cura das pacientes  e acabam sendo mais um fator determinante, que também dificulta a trajetória. Com Rosely não foi diferente, ela afirma que se sentia mal com sua aparência, mas que tentava fazer com que esse sentimento não interferisse nas suas saídas e caminhadas diárias, que eram outras maneiras de se distrair e se ocupar. “Você se sente feia, mas eu não deixava de fazer as coisas. Eu não deixava de sair. É claro que eu não podia estar num local com muita gente, evitava ir pra shopping ou só ia bem rápido, comprar uma coisa e voltar, mas eu não deixei de fazer as minhas coisas por conta dela não. Claro que eu não tinha o mesmo ritmo, a mesma velocidade, mas eu não deixava não”, relembra. 

Rosely transformou todo esse processo longo, árduo e desafiador em aprendizados. Ela define que aprendeu a tentar não entender os motivos, mas identificar as lições.  “Todo mundo se pergunta ‘por que?’. Eu descobri que não era pra eu perguntar ‘por quê?’ e sim ‘para quê?’. Essa doença chamou atenção de algumas coisas, tipo: hoje, eu tenho um trabalho mais social. Eu consigo ver que eu preciso ajudar as outras pessoas, porque eu fui muito ajudada.”. Com as lições, ela sente que cresceu, enquanto ser humano. “Eu cresci um pouco e aí sou mais tolerante, tento, porque isso é um aprendizado, você ser mais tolerante, você ter mais vontade de ajudar o outro, ter outro olhar. O que eu queria passar é isso: viver cada dia, a cura existe e você tem que pensar naquele momento que você tá vivendo, se fortalecer muito e caminhar, que a cura existe”, finaliza enfatizando seus aprendizados. 

 

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