Durante o ato, muitos vestiam preto e exibiam cartazes com frases como “Não foi acidente”, “Justiça para Miguel” e “Vidas negras importam”, expressão que virou símbolo da luta contra o racismo

Foto: Carlos Miguel / CBN Recife
Centenas de pessoas se reuniram na tarde desta sexta-feira (5) em um ato para pedir justiça para o garoto Miguel Otávio, que morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo localizado no centro do Recife. Com máscaras e respeitando o distanciamento seguro, por causa da pandemia, os manifestantes caminharam por cerca de um quilômetro pelas ruas da capital até o local da tragédia, no conjunto conhecido como Torres Gêmeas.
Durante o ato, convocado pelas redes sociais, muitos vestiam preto e exibiam cartazes com frases como “Não foi acidente”, “Justiça para Miguel” e “Vidas negras importam”, expressão que virou símbolo da luta contra o racismo. No seu último dia de vida, Miguel estava sob os cuidados de Sarí Corte Real, patroa de Mirtes Renata, mãe do garoto, que tinha saído para passear com o cachorro da família. A primeira dama do município de Tamandaré, chegou a ser presa por homicídio culposo, mas pagou fiança de 20 mil reais e responde em liberdade.
Parte da família do Miguel também participou do protesto. Dividida entre a dor e a revolta, uma das tias do garoto, Irilurdes Cristina, questionou porque Sari não impediu que o garoto ficasse sozinho no elevador. De acordo com as imagens do circuito interno, a patroa deixou que o garoto fosse atrás da mãe e ainda apertou um dos botões do equipamento. Alguns moradores do edifício Pier Mauricio de Nassau, também participaram da manifestação. Na janela de alguns apartamentos foram estendidos panos pretos, colocados em sinal de luto pela morte do menino Miguel. Algumas pessoas que passaram pelo edifício também deixavam coroas de flores e brinquedos, como forma de homenagear o garoto.
As palavras de ordem foram interrompidas por um tempo para dar espaço a um minuto de silêncio, seguido de palmas. Em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, a doméstica Mirtes Renata, mãe do garoto Miguel Otávio, acusou a ex-patroa de negligência e de que a tragédia poderia ter sido evitada se Sarí Corte Real, esposa do prefeito da cidade de Tamandaré, no litoral sul, Sérgio Hacker, do PSB, tivesse tido paciência com a criança.
De acordo com a perícia da polícia civil, depois de ficar sozinho no elevador, Miguel subiu até o nono andar, entrou em uma área restrita a funcionários, se debruçou sobre uma grade de alumínio, sem tela de proteção, e caiu de uma altura de 35 metros. No Recife existe uma lei municipal que proíbe crianças menores de 10 anos estarem desacompanhadas nos elevadores. Outro ponto da história que chama atenção é que a mãe de Miguel aparece como funcionária comissionada da prefeitura de Tamandaré, há 104 km do Recife. A informação que consta no portal da transparência do município é de que ela é contratada desde 2017, lotada no setor de manutenção das atividades de administração.
A relação trabalhista da doméstica será analisada pelo TCE e Ministério Público de Pernambuco, que pretende descobrir se Mirtes estava recebendo salário com dinheiro público. Caso a conclusão seja essa, o prefeito Sérgio Hacker, do PSB, poderá responder por crime de responsabilidade e infração político administrativa. A prefeitura de Tamandaré emitiu apenas uma nota em que diz que o prefeito está profundamente abalado pela perda de Miguel, já a primeira dama ainda não se pronunciou. De acordo com o síndico do Pier Maurício de Nassau, o casal e os filhos não foram mais vistos no prédio desde o dia da tragédia.
Confira mais informações na matéria do repórter Samuel Santos, disponível no play acima.
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