Santo Antônio, São Pedro e São João dividem os festejos do mês de junho

Foto: PCR / Reprodução G1
Como tudo na cultura, os costumes carregam uma vasta história. E no caso da festa de São João do Nordeste, muita fé. Desde as fogueiras até as deliciosas comidas de milho, as raízes religiosas se fazem presente. Apesar de ter uma origem pagã, os festejos juninos ganharam um caráter religioso por meio da Igreja Católica, que ainda na Europa da Idade Média separou três datas do mês de junho para celebração de santos.
E todos eles tem um lugar especial nas comemorações juninas: Antônio, celebrado no dia 12, foi um sacerdote. Pedro, um dos 12 apóstolos de Jesus e primeiro papa, encerra as festividades no dia 29; e João, o protagonista, como o próprio nome da festa revela, faz acender as fogueiras do Nordeste no dia 23 já para anunciar a sua chegada, no dia 24.
Visão da Igreja
Paulo Dutra, padre da Arquidiocese de Olinda e Recife, ressalta que a fé do povo nordestino está intimamente ligada aos festejos juninos.
Pe. Paulo é natural de Timbaúba-PE, na Zona da Mata Norte
“É sempre muito importante que o que a gente reza, pratica, viva, e o que a gente crê esteja envolvido com o nosso cotidiano. E as festas juninas são um exemplo claríssimo disso: cultura e fé estão profundamente enraizados um no outro, entrelaçados”, conta.
Simpatias
Essa fé também vibra na casa das famílias em forma de superstição. Basta junho chegar para as moças e moços solteiros apelarem por um relacionamento ao Santo Antônio, conhecido como o santo casamenteiro.
A professora Penélope Lyra conta que já é tradição familiar fazer simpatia na época dos santos juninos. O relato, inclusive, é de que funciona.
“Eu e minhas primas a gente sempre fazia. E tinha uma que contava os anos que faltavam para a gente casar. Você pega um fio de cabelo, uma aliança de alguém casado e um copo virgem com água pela metade. E aí você coloca a aliança dentro do fio de cabelo e reza uma salva rainha. E aguarda. E a aliança vai bater no copo e cada batida corresponde a um ano. E eu sempre fiz essa. E teve um ano que ela bateu uma vez. Conheci meu marido em abril de um ano e casei em fevereiro do ano seguinte. Funcionou, de alguma forma deu certo”, acredita.
Arquivo pessoal de Penélope com o seu companheiro
E o santo casamenteiro faz tanto sucesso na família Lyra, que até a filha da professora Penélope, a Marianna, pediu a Santo Antônio uma forcinha.
“Era uma coisa que eu sempre vi as mulheres da minha família fazendo, e decidi fazer uma. A gente pega uma bacia com água e uma vela, e vai aparecer a letra da pessoa com que você vai se relacionar. Eu fiz em dois anos essa simpatia, e nos dois anos, não exatamente no ano seguinte, mas logo em seguida comecei a namorar com a pessoa da letra que apareceu na bacia. Teve um ano que eu vi aparecer uma letra L, então, em seguida comecei a namorar com um rapaz que tinha a letra L no nome", relata.
Mas Marianna alerta: Se você está na expectativa de receber dos céus o amor da sua vida, vá com calma!
“Eu tenho minha ressalva com Santo Antônio! Porque eu acredito que ele resolve o problema de lhe desencalhar, mas não necessariamente vai trazer o amor da sua vida. Ele vai resolver seu problema imediato”, protesta.
Para a fé católica, Antônio vem para o amor, Pedro vem para a chuva e João anuncia a esperança. Porém, sendo católico ou não, é a fé do nordestino que transforma o mês de junho em um período de celebração e preservação das tradições.
Ouça a matéria dos repórteres Aline Melo e Lucas Arruda no 'Play' acima.
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