No Nordeste, comidas típicas dão tempero aos festejos juninos e sustento durante todo o ano
Milho, mandioca e coco ocupam ainda mais espaço nas mesas dos nordestinos nessa época

Foto: Aline Melo/CBN Recife
Das belezas do Nordeste, uma ganha ainda mais destaque nas festas juninas: a culinária regional. Desde alimentos à base de coco e mandioca, como cocada, tapioca e bolo, até pratos como pé de moleque e arroz doce, as comidas típicas da região - presentes o ano inteiro - ocupam ainda mais espaço nas mesas neste mês de festividades.
E claro, não tem como deixar de falar do “rei da festa”, que enriquece ainda mais a culinária nordestina: o milho e tudo que dele é feito. Sinônimo de sustento de um povo, para o catolicismo, a chegada do tempo do milho é predestinada por São José já em março. O padre da Arquidiocese de Olinda e Recife, Paulo Dutra, explica como a cultura e a fé estão interligadas.
“A gente sabe que aqui no Nordeste o tempo de junho é de mais chuva, ou seja, é tempo da colheita. Então, a gente costuma associar que, se chover em São José (19 de março), vamos ter muito milho em junho. E se tem muito milho, tem fartura!”, conta o padre.
Foto: Aline Melo/CBN Recife
Quem muito bem explicou como acontece o processo de produção do milho foi o rei do baião, Luiz Gonzaga. Na música “ A Festa do Milho”, composição de Rosil Cavalcanti, ele detalha o passo a passo do plantio e da colheita até a chegada do São João.
“Em março queima o roçado
A dezenove ele planta
A terra já está molhada
Ligeiro o milho levanta
Dá uma limpa em abril
Em maio solta o pendão
Já todo embonecado
Prontinho para São João”
Foto: Reprodução
Compra e venda
A época de plantio e colheita de milho é aguardada não apenas por quem consome, mas especialmente por quem tem esse alimento como fonte de renda. Luciano Cabral, conhecido como “Negão do Milho”, trabalha há mais de 30 anos como vendedor no pátio do milho do Centro de Logística e Abastecimento de Pernambuco (Ceasa). Para ele, a demanda de vendas aumenta em 100% durante o São João.
“As vendas dobram no São João! A gente passa o ano inteiro esperando essa época para faturar mais. No resto do ano, a gente continua vendendo mais para manter a tradição”, diz o vendedor.
A vendedora e cozinheira Maria Adriana, de Timbaúba, na Mata Norte de Pernambuco, também entende bem dessa realidade. Na verdade, todo mundo conhece ela por Maria da Pamonha.
“Eu comecei assando milho na frente da minha casa. Depois, aqueles milhinhos que sobravam comecei cortando e fazendo umas canjiquinhas. E o pessoal foi conhecendo o meu trabalho. Foi sobrando mais, e comecei a fazer pamonha. E hoje eu sou conhecida como Maria da Pamonha”, relata.
Foto: Reprodução/Google Maps
Sustento
Maria também fala sobre a importância do milho para sua família.
“Faz 26 anos, mais ou menos isso, que eu venho trabalhando aqui na minha residência mesmo, e sou procurada pelas escolas, lojas… Todo mundo me procura e trabalho bem. E outra coisa: todos os dias! Não é só no São João. 365 dias do ano tenho pamonha, tenho canjica, e tenho bolo de milho”, declara a vendedora.
Com o dia de São Pedro, neste 29 de junho, chega ao fim o ciclo junino. Mas a economia do milho, que alimenta inúmeras famílias nordestinas durante todo o ano, segue forte.
Ouça a materia especial dos repórteres Lucas Arruda e Aline Melo no 'Play' acima
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